CONSUMO CONSCIENTE

Consumo Consciente é uma campanha desenvolvida pela Aliança do Cone Sul (Southern Cone Alliance), uma iniciativa regional do WWF.

Desde a criação de seu Programa Marinho, o WWF-Brasil exige excelência na pescaria brasileira. É assim que trabalhamos juntos com mercados e agentes financeiros para proteger e promover ecossistemas oceânicos produtivos e resilientes que sustentem o bem-estar humano e a conservação da biodiversidade nos oceanos da América do Sul, incluindo Argentina, Brasil, Chile, Equador e Peru.

O DESAFIO

Atualmente, 80% dos recursos pesqueiros do Brasil estão sendo explorados além de sua capacidade natural de reposição. Os estoques pesqueiros são duramente impactados pela destruição dos habitats marinhos, a pesca ilegal e não reportada, pela pesca incidental e baixa seletividade das frotas nacionais. 

Por outro lado, a produção de peixes e frutos do mar em fazendas de aquicultura pode ser uma alternativa para este cenário, desde de que seja feita de forma responsável considerando a manutenção da qualidade ambiental e o equilíbrio dos ecossistemasEntre as espécies priorizadas pelo WWF-Brasil para trabalhar no tema de pesca, destacam-se tubarões, raias, atuns e o budião-azul, todos apresentando estoques em declínio. Da mesma forma as toninhas, pequeno cetáceo mais ameaçado do Atlântico Sul, também é alvo prioritário deste programa, uma vez que é impactado pela captura incidental em redes de pesca. Para garantir também o equilíbrio do ecossistema marinho, trabalhamos com a conservação dos manguezais. Berçário de muitas das espécies de peixe mais consumidas pelos brasileiros, os manguezais vêm sofrendo com o avanço indiscriminado de fazendas de produção de frutos do mar.

Como uma das alternativas para as atuais práticas de pesca, o Programa Marinho elegeu trabalhar com o Cerco Flutuante já que é uma das artes de pesca existentes mais responsáveis. Além disso, esta atividade também remete ao desenvolvimento socioeconômico de comunidades tradicionais que habitam os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Tubarões e Raias: O Brasil é um dos principais países em termos de diversidade de elasmobrânquios, como é conhecido o grupo dos tubarões (muitas vezes chamados de cações) e raias. Várias dessas espécies são encontradas somente nas águas compartilhadas pelo Brasil, Uruguai e Argentina. Os elasmobrânquios apresentam diversas características de vida que os tornam extremamente susceptíveis à sobrepesca. Apesar disso, são capturados, incidentalmente ou não, em diversas modalidades de pesca. Por esses motivos, o WWF-Brasil recomenda evitar o consumo desse grupo.

Atuns: Os atuns são um grupo formado por cerca de 10 espécies. Estão presentes em toda a costa brasileira, porém cada espécie é mais comum em certas regiões. O Bonito-listrado (Katsuwonus pelamis) é a espécie do grupo mais capturada no Brasil, atingindo um total de 30.563 toneladas (Ministério da Pesca e Agricultura, 2011). Entretanto, informações mais recentes dão conta de que a produção de atuns vem caindo ano após ano em decorrência da má gestão pesqueira. Em 2018, o WWF-Brasil, junto com a Thai Union, maior empresa enlatadora de atum do mundo, esperam implementar um Projeto de Melhoramento Pesqueiro (FIP, da sigla em inglês) para o Bonito-listrado, visando garantir a oferta destes peixes.

Budião-azul (Scarus coeruleus): O Budião-azul é um peixe encontrado apenas no Oceano Atlântico, com distribuição do sudeste do Brasil até o Caribe. Pode chegar a 1,20 metros de comprimento, porém é mais comum por volta de 35 cm. No Brasil, é mais comum na região Nordeste, por estar associado a ambientes recifais. Dados sobre a pesca e estoque desta espécie são escassos, assim como dados de sua biologia. Dessa forma, é recomendado evitar a captura e o consumo dessa espécie.

Cerco Flutuante: Apesar de ser uma pescaria multiespecífica de baixa seletividade, o Cerco Flutuante pode ser considerado uma pescaria responsável. A rede do cerco é fixada no fundo do mar e posicionada perpendicularmente, direcionando os peixes para uma área onde eles ficam retidos ainda vivos. Por isso, os peixes capturados que não são interessantes para venda, seja pelo tamanho inferior ao permitido ou por não terem valor comercial, podem ser devolvidos ao ambiente sem sofrerem danos. O WWF-Brasil tem planos de começar em 2018 um Projeto de Melhoramento Pesqueiro (FIP) com os cercos flutuantes situados na Área de Proteção Ambiental Marinha do Litoral Norte de São Paulo. Além de garantir que a pesca seja realizada de forma responsável, o projeto tem como objetivo avançar com a certificação do Carapau (Caranx crysus), que pode agregar valor ao produto e diminuir a vulnerabilidade econômica e social das famílias envolvidas com essa pescaria.

 

A SOLUÇÃO

Uma tarefa chave no desafio de recuperar e manter a saúde das pescarias e ecossistemas marinhos é sensibilizar todos os atores do setor, como as empresas, pescadores, governos e consumidores a respeito dos problemas e esforços necessários para solucionar o problema. Para isso, o WWF criou a Aliança do Cone Sul e está atuando nesta região.

Como você pode ajudar

Se você atua no setor pesqueiro ou de aquicultura, busque aderir melhores práticas através de planos de manejo e recuperação, assim como por meio de projetos de Melhoramento de Pesqueiro (FIP).

Se você é um consumidor de pescados, fique ligado e passe a ser um consumidor consciente.

O que é o consumo consciente

Ser um consumidor mais consciente significa valorizar peixes que contenham selos de certificação, conhecer o peixe que está conhecendo, se ele está em ameaça ou não, valorizar pescadores locais e respeitar os períodos de defeso e tamanhos mínimos de captura/consumo.

A RECEITA SECRETA

Essa é uma iniciativa da Aliança do Cone Sul, do WWF, que reúne 5 países sul-americanos, Argentina, Brasil, Chile, Equador e Peru, para alcançar a sustentabilidade nas pescarias do continente. Junte-se também a esta grande missão.

FORMULÁRIO DE CONTATO

No WWF  temos trabalhado em várias iniciativas para cuidar dos recursos marinhos, com diversas campanhas e ações. Se quiser aderir a esse movimento, conhecer mais sobre nosso trabalho com a pesca ou ser um consumidor mais consciente, deixe seus dados abaixo.